O que não dizer aos filhos #4

Mais vale um pássaro na mão que dois voando.

Acomode-se, não crie expectativas, não tenha ambição, não assuma riscos. Prefira a garantia daquilo que você já tem e não tente alçar vôos maiores, porque você vai acabar ficando sem nada. Se é isso que quer para o futuro de seu filho, fale todo dia essa frase para seu pequeno.

Certamente há variáveis individuais, mas muito do que somos na vida adulta é herança do que nos foi repetidamente dito e feito enquanto crianças. Nisso está o risco de sermos pais extremamente protetores. Mães, naturalmente leoas e protetoras, tendem a evitar todo e qualquer risco para seus pequenos. Nós pais, por outro lado, normalmente equilibramo-nos entre estimular a independência da criança e evitar algum risco desnecessário. Para quem acha corda bamba sem rede de segurança arriscado, experimente ser pai.

O grande problema dessa relação segurança-independência é pender para o primeiro fator, o que causa uma queda despercebida, pois é a longo prazo. Segurança demais causa pavor do desconhecido, paralisia perante a novidade. Só que praticamente tudo na vida é desconhecido e novidade. Ainda coisas que estamos habituados mudam o tempo todo… e se antes mudava e agora muda muito mais rápido, imagine quando nossos pequenos forem adultos!

Quando o filho fica acuado porque não sabe fazer algo, o que você faz?
Se a criança arrisca algo novo e não consegue de primeira, qual sua reação?
Para você, tentar e errar é progresso no processo ou simplesmente uma falha?

Pais que tenham necessidade de segurança absoluta e não saibam lidar com riscos provavelmente vão criar filhos assim, projetando seus pavores num novo ser que, a princípio, não os tem. Por mais difícil que seja, precisamos transmitir segurança, mesmo morrendo de medo de que algo dê errado.

Claro que é importante buscar segurança. Mas tão importante quanto isso é ter segurança na sua capacidade de conquistar novos objetivos, mesmo saindo da zona de conforto e navegando em águas desconhecidas.

Lembro-me do pavor de ver minha princesa pela primeira vez subindo a escada do playground, andando sozinha lá em cima e descendo o escorregador. Apesar disso, engoli seco o medo, deixei ela curtir aquele momento especial de independência e vibrei muito quando ela chegou (sã e salva) no final do caminho.

Para ilustrar, veja abaixo a propaganda de dia dos pais que circulou na TV esse ano… principalmente a cara do pai quando o filho pula na piscina! É disso que se trata. É preciso ensinar a buscar segurança, mas sem menosprezar a capacidade de conquistar algo mais.

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