O pai que eu idealizei e o pai da minha filha

Expectativas e frustrações sobre seu papel não são exclusividades das mães. Será que isso não está acontecendo cada vez mais com os homens também? Para iniciar a série de posts “Pais pelas mães”, convidei a mãe e blogueira Isabela Kanupp, que explora esse assunto.

Quando engravidei, não tinha contato com blogs, twitter de mães, e toda essa rede que existe hoje que orienta muitas pessoas. Mas mesmo assim, eu não fugi da idealização do pai da minha filha. Da mesma forma que imaginamos o bebê ideal, idealizamos o pai. Talvez pela convivência com outras pessoas – outros pais – comentários de amigas e todo esse meio.

Acontece que muitas vezes, idealizamos aquele pai, aquele marido que vai acordar no meio da noite com você quando o bebê chorar, vai ficar ao seu lado enquanto amamenta e achar aquilo tudo a coisa mais linda do mundo. Vai te achar a mulher mais gata, vai falar “não amor, eu faço o jantar você está cansada”, mas é um grande choque de realidade quando isso não acontece.

Não quero tirar a responsabilidade do pai, ele tem responsabilidade assim como a mãe. Mas eu escolhi não forçar meu marido a fazer algo que ele não estava a vontade de fazer, algo que ele não saberia fazer, ou até mesmo pediria minha ajuda 500 vezes e, ao contrário de ajudar, atrapalharia.

Foi difícil? No início sim, eu pensei que meu marido era o errado, que ele era um “paidemerda” por não me ajudar, que onde já se viu ele não acordar no meio da noite para olhar a Beatriz para mim?

O que nós muitas vezes ignoramos, é que é muito mais difícil alguém se tornar pai do que mãe. Muitas vezes, o homem não está preparado, e ele demora muito mais tempo para de adaptar do que nós, as mães.

Ignoramos também a pressão que o homem sofre. Não quero ser machista, mas na época meu marido estava cheio de problemas, tentando resolver nossas dividas, pressionado, e eu só queria que ele trocasse fralda na madrugada.

Hoje existe uma grande pressão para que seu marido seja o marido e o pai perfeito. Justamente por isso, existe uma grande decepção quando a pessoa percebe que o marido também é uma pessoa, com vontades, desejos, objetivos únicos, e ele também se cansa, ele também tem dor de cabeça, e sono.

Quando eu digo que o pai da Beatriz trocou pouquíssimas fraldas dela e deu somente um banho nela até hoje, as pessoas fazem aquela cara de “que pena de você”. Mas eu posso fazer uma lista de coisas que ele faz e que é muito melhor para a nossa família do que trocar uma fralda ou dar um banho.

Por exemplo, ele é atencioso e quando eu vejo a Beatriz imitando ele em tudo, ele achando graça, fazendo aquelas brincadeiras bobas que só pai faz, ficando feliz por ter conseguido fazer ela dormir mesmo que dure 5segundos…

O que eu quero dizer é que não adianta brigar e bater no peito que não existe mãe perfeita, ignorando o fato de que também não existe pai perfeito!

Escrito por Isabela Kanupp, a Kira.
Twitter: @MaeDeMerda
Blog: Para Beatriz…

Muito obrigado, Kira, pelo post! Certamente é uma excelente forma de começarmos essa série de postagens para levantarmos pontos de interrogação (e exclamação) sobre nós homens na ma/paternidade. 

Gostou? Não gostou? Pensou no quê durante o post? Comente e participe!

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15 thoughts on “O pai que eu idealizei e o pai da minha filha

    • Obrigado digo eu! Cada vez que uma mulher diz que o pai não precisa ser perfeito e suprir todas as expectativas e fantasias da mulher, um homem fica aliviado em algum lugar do mundo hehehe

      Adorei sua participação, Kira! Portas do PaisModernos sempre abertas pra vc :)

      Abraço do Caio!

  1. Muito legal o texto da Kira @maedemerda… realmente ela tá com a razão, criamos expectativas e nos frustamos… Mas como não criá-las é complicado, difícil, trabalhoso. De certa forma anulamos algumas de nossas vontades, mas como ela bem disse, tem mil coisas que eles fazem melhor que trocar a fralda.

    Meu ex-marido, trocou fraldas e deu banhos, hoje mesmo “distante” é um pai presente na medida que pode… e claro que eles fazem a bagunça que só ele como pai sabe fazer…

    Parabéns Kira, ótimo post!

    Beijos

  2. Eu nos primeiros 6 meses do Miguel era bem desligadão. Só pensava: trabalho, trabalho, trabalho! Eu que provia o sustento de todo mundo, não podia vacilar com o emprego, que na época era um estágio. Some-se a isso o fato de que eu estava no último ano de faculdade. É bem tenso, não dá pra ser muito participativo numa situação dessas. Talvez isso tenha decepcionado a mãe do Miguel, já que nos separamos por escolha dela. Daí caiu a ficha, e hoje, com a guarda provisória dele, mexo e remexo todo palito pra estar mais presente na vida do Miguelito :)

    Ser pai é uma baita responsa, parabéns pro seu marido e pra todos os pais que se esforçam para dar o seu melhor!

  3. Acho que as “redes sociais” e os blog maternos ajudam a esse negócio de fantasiar o pai, as vezes, parece uma competição!
    Qual pai que faz mais? Porque meu marido trocou 5 fraldas já Ahhh, o meu, o meu leva para passear e acorda de magruda. E aquela mãe que o marido participa mas não tão ativo pensa que o problema é com o marido dela, que nossa… que absurdo! E naõ é bem assim!
    Cada familia tem que ver o que funciona com ela!

  4. Bom, eu acho que o problema é com o marido mesmo! Porque na nossa casa o Caio me ajuda em tudo! desde que a Júlia nasceu! inclusive com as atividades da casa!E sou muito grata a Deus por ter encontrado essa pessoa maravilhosa! Mas infelizmente a maioria dos homens de hoje em dia ainda acham que a responsabilidade é só nossa! Querem casa, comida, roupa lavada, tudo isso trabalhando fora e cuidando dos filhos sozinhas. Amor você é o máximo! Parabéns pelo marido e pai maravilhoso que você é!!!!
    Jana

    • Uhuuuul! Ganhei o dia, galera! Pode fechar a loja mais cedo que eu vou pra casa! hahaha

      Eu adoro a infinidade de possibilidades, opiniões, pontos de vista… todos muito válidos, cada um com o seu. Vejo gente feliz com homens que participam, que não participam, que ajudam, que não ajudam, que são os únicos provedores, que dividem as despesas da casa, que são sustentados pelas esposas…

      Bom mesmo é quando o casal concorda e vive bem do seu jeitinho, né?

      Beijo de quem adora você, meu amor!

    • Jana, meu marido participa sim! Eu só não forço ele a fazer coisas que ele não curte ou leva o menor jeito, como por exemplo dar banho! Agora, outras coisas ele faz sim, como brincar com a Bia, cuidar dela para eu tomar um banho, e brinca a´te mesmo de “comidinha imaginária” com ela. Sem contar o fator ” educação ” aquela educação de berço que ele ajuda MUITO aqui em casa!

      A questão é que, parece que hoje rola uma propaganda “marital”, é uma disputa de qual pai faz mais, qual marido ajuda mais, e dai, fica a mulher louca neurótica brigando com o marido porque ele não troca uma fralda, exigindo demais dele, assim como alguns maridos exigem das mulheres!

      E sim muitos maridos jogam tudo para as costas das mulheres, e acha que a única função deles é prover o alimento em casa, como na época das cavernas!

      No mais, ele só não consegue ajudar mais, pelo fato de trabalhar de segunda a sábado, chegar tarde quando a maioria das coisas está okay!

      Beijos

  5. O meu maridex é de fases. Tem horas que ajuda muito, noutras parece um paxá no sofá. Mas ele trabalha tanto, mas tanto, que eu dou um desconto. Pra mim tá bom.

    • No começo eu pedia para ele fazer as coisas, e ele fazia e era nítido que ele não tava afim. Não por achar que aquilo era coisa da mãe fazer, mas por estar cansado, preocupado com mil coisas saca?
      Agora, com a Bia maior ele ajuda MUITO mesmo, para mim está de bom tamanho!
      Acho que a gente tem de ver o que funciona para a familia DA GENTE!

      Beijos

  6. Caio, esse comentário é para a fofa da sua esposa:

    Jana, quem está de parabéns nessa história é você. Assim, como o Caio, meu marido também é super participativo. E faz isso não por ser forçado ou para competir com outros pais modernos, mas porque gosta, curte mesmo. E assim como o seu companheiro, também se esforça para aprender o que não sabe, não fica só com o lado bom e conhecido. Sabe encarar o lado pedreira também de ter filhos. E, do que acompanho aqui no blog, vejo que tudo isso acontece muito porque você deu esse espaço para acontecer. Você o chamou para essa parceria e incentivou, coisa que muitas mulheres não fazem. Algumas se sentem tão poderosas com a maternidade, tão egoístas com os filhos, que esquecem que o casamento é uma parceria, tanto na hora de trocar fraldas quanto na hora de ganhar grana para pagar as contas. Parabéns pela parceria de vocês!
    beijos para o casal e para a filhota

  7. kira , querida…coloquei o meu ponto de vista pq esse foi o objetivo de meu marido ter feito essa série de posts! Que bom que você parece ser feliz com o marido que tem!
    bjs.

    Mônica, fofa foi você com sua mensagem! E sabe que eu nem precisei chamar o Caio para essa parceria? Foi muito natural da parte dele! antes da pitoca nascer ele ja era parceiro assim!!! Ele é muito fofo!!!!

    bjs

  8. Antes de tudo quero dizer que sou fã desse blog e já indiquei pra muitas pessoas pais ou não.
    Agora quanto ao post gostaria de deixar minha opinião baseado na minha experiência de pai de uma garotinha linda de 1 ano e 4 meses. Eu me considero um pai participativo, troco fraudas, às vezes dou banho, levo para passear, na ausência da mãe ou quando está no banho dou a comida, todo tempo que tenho disponível faço questão de estar com a minha princesinha, assim que ela nasceu contratei uma previdência privada para custear a sua faculdade, fico com ela quando a mamãe precisa resolver alguma coisa e não pode levá-la. Apoiei minha esposa quando se resolveu se afastar do serviço para cuidar de perto da nossa filha, inclusive o salário que ela recebia no emprego. Quando saio pra trabalhar todas as manhãs, elas estão dormindo e antes de sair lavo toda a louça do jantar e dou uma organizada nas coisas que estão fora do lugar, roupas jogadas (delas), brinquedos e outros. Vez em quando minha esposa reclama que está sobrecarregada e que eu poderia fazer um pouco mais, o que muitas vezes me faz acreditar que estou “em falta”, mas quando paro para refletir chego a conclusão que esse é o melhor que eu posso fazer nas atuais circunstâncias, com o tempo que tenho, com a disposição que me resta, esse é “o meu melhor”.
    Então concluo que se o marido está em débito ou não com relação à sua participação na criação dos filhos é somente ele que pode dizer, isso é muito relativo de um pai para o outro, de uma família para a outra, cada qual tem seus afazeres e limites. É muito injusto julgar sem saber da realidade de cada um. É isso.

    obs: como faço para adicionar foto ao comentário?

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