Produtos “infantis” (e o que me deixa puto)

Esse não é um post simpático. Aliás, muito pelo contrário: esse é um post do tipo desabafo. Caso prefira algo mais bem-humorado, sugiro o post de ontem, que está mais fofo e com a cara do blog. Se é sua primeira vez aqui, não se espante, não é sempre assim.

Que o mercado de produtos infantis é um belo nicho, isso todos sabem. Cada vez inventam-se mais produtos e serviços voltados a filhos, mães e pais… desde coisas realmente práticas até os itens mais estapafúrdios e sem sentido, elaborados a partir de desespero, neurose e surtos dos pais. Tornar anseios sem sentido em produtos que venderão como água é uma arte que se domina nesse setor.

Isso, pessoalmente, não me incomoda nem um pouco. Se um pai tem ataque de nervos e quer comprar uma bugiganga criada para reduzir um fantasma que ele tem na cabeça, tudo bem.  O que realmente me deixa puto são produtos que não tem absolutamente nada a ver com crianças ou infância e apelam a esse público para fazer volume de venda. Um exemplo foi uma tal “frizzante” chamada Spunch (parece-me que fabricada pela Cereser) que dia desses eu tive a infelicidade de conhecer no supermercado.

No meio de um corredor de bebidas alcóolicas (vinhos, conhaques, vodcas etc.) estavam lá as inocentes e coloridas garrafas. Eram três os temas: Carros, Princesas e Mickey.  Tudo bem que é sem álcool e está escrito que é sem. Tudo bem que só isso não vai criar uma geração de viciados em bebida, mas… que porra é essa de simular bebida alcóolica pra criança?!

Os desgraçados são tão sacanas que deixam na parte mais baixa da prateleira, justamente onde qualquer criança vai enxergar suas personagens favoritas e pedir para o pai, que vai acabar metido numa incrível sinuca de bico. Eu fico imaginando a cabeça doentia dos infelizs que desenvolveram o produto, tipo “ah, ao invés de criar mais um refrigerante, vamos inovar! Vamos lançar a primeira bebida não-alcóolica para crianças”. Sério mesmo, cara?

Aí juntam-se um monte de crianças vestidas como gente grande (que já é o fim da picada), talvez as meninas maquiadas como gente grande, para juntos tomarem suas bebidas como gente grande. Qual o próximo passo? Cigarros sem nicotina com embalagem da Barbie?

Abaixo, algumas fotos do infeliz produto que essa gente tem a capacidade de colocar no mercado. Se por acaso esse post chegar aos olhos dos responsáveis pelo tal Spunch, bem… já sabem minha opinião, mas gostaria de saber a de vocês. Quem sabe há alguma justificativa plausível para esse tipo de produto que minha imaginação não contemplou.

A tal Spunch num local bem acessível para crianças mexerem e pegarem

E aí? Você prefere Princesas ou Mickey?

Se não gostou daqueles, talvez uma do Carros...

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11 thoughts on “Produtos “infantis” (e o que me deixa puto)

  1. Eu sou super a favor de produtos praticos e inovadores para maes, pais e criancas, ate tenho uma empresa que so vende esse tipo de produto, mas essa bebida vai alem de qualquer razoabilidade!!! Eu ja tinha visto no supermercado, achei um absurdo e te agradeco muito pelo post pois tenho exatamente a mesma opiniao!

  2. Também fico muito puta com isso. Com isso e com as propagandas nos canais infantis. Esse povo consegue pagar o ingresso para o inferno do pior jeito – jogando os outros para o caldeirão das chantagens dos pequenos.

  3. Mais que criticar essa apologia ao consumismo infantil, o que me deixa fula da vida é ver onde doces ficam expostos em cafés e padarias: ali, do ladinho do cigarro. Que é para a criança crescer achando que é tudo farinha do mesmo saco. Daí ainda me colocam o cigarro de menta e chocolate bem com apelo ao sabor. Pronto!
    E assim surgem os novos alcoólatras e fumantes do mundo. Hipocrisia pouca é bobagem!

  4. Nossa, nem sabia que isso existia e achei ridículo! Criança tem que ser criança, tem que beber suco e refrigerante, não uma bebida de adulto mesmo que não tenha álcool.
    Acho O FIM essas crianças que se vestem e agem como adultos. Criança tem que brincar e se sujar, não usar roupinhas de marca se preocupando com a aparência, com a moda, com o que vão pensar dela. FA-LA-SÉ-RI-O! Estão destruindo a infância das nossas crianças…

  5. Fiquei chocada quando me deparei com esse absurdo. Seu texto resume exatamente o que pensei. Pensamento de merda esse de quem desenvolveu isso.

  6. Inacreditável!!! É o dinheiro à frente de tudo!! O pior é que tem gente que acha q não tem nada demais…

    • Realmente inacreditável…

      Com outras pessoas acharem que não tem nada demais, eu me acostumo. Acho que, acima de tudo, cada pai e mãe podem decidir o que é melhor para seus filhos (mesmo me mordendo de discordar hehehe). O que, para mim, não tem como suportar é uma empresa empurrar produtos assim com artifícios tão baixos para cativar novos clientes. Isso sim me deixa puto!

      Beijo do Caio

  7. Há, pra mim isso é a mesma coisa que dar cerveja sem álcool pra criança!
    Um absurdo!
    Na garrafa de cerveja sem álcool está escrito proibido a menos de 18 anos, e pq espumante pode?

  8. Eu particularmente não vejo problema no produto. Acho divertido e deve ser tratado pelos pais como um refrigerante. Concordo qto a alocação do mesmo junto com as bebidas alcóolicas e acho desnecessário.
    O que eu realmente acredito é que o nosso exemplo é que abre as portas da cabeça das crianças. Se bebida alcóolica faz mal então simplesmente não beba. Faz tanto mal para adultos como faz para crianças. Eu não bebo e não fumo e deixo claro para minha filha que não o faço pq faz mal. Não é por uma questão de gostar ou não mas sim pq é prejudicial a saúde. Esta deveria ser a preocupação dos pais. De outra forma vejo como uma grande hipocrisia.

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