Spunch – o que você vai fazer a respeito?

Dizem que a ignorância é uma benção. Uma vez tendo consciência de algo com o qual não se concorda, porém, torna-se uma questão de escolha: não fazer nada a respeito e virar conivente ou sair do comodismo e agir?

Sinceramente, eu não imaginava que haveria tanta repercussão o post que fiz sobre o famigerado Spunch da Cereser. Fiquei surpreso, inclusive, quando as meninas do Comer para Crescer publicaram um post a respeito chamado Produtos inimigos das crianças a partir do meu. Leitores desse blog, que normalmente não comentam, deixaram suas palavras e opiniões (alguns nos comentários, mas muitos pelo formulário de contato).

Li muitas pessoas compartilhando de minha indignação, enquanto algumas questionando se não foi uma reação exagerada. O lance, pra mim, é que chegamos numa era em que as pessoas precisam ter muito cuidado para emitir opiniões publicamente, mas uma empresa não precisa ter cuidado algum ao colocar um produto no mercado: se vender, beleza; se não vender, tira do mercado.

Está certo isso? Somos participantes compulsórios de um teste de aceitação do produto? Enquanto isso, ironicamente, não é correto ou elegante manifestar publicamente nossas opiniões e fazer-se ouvir/ler do alto de nossa indignação quanto a essa inversão de valores? Veja aí em seu tornozelo se não enxerga o grilhão da escravidão mercantilista, porque provavelmente está lá … mas quase imperceptível.

Eu, que vi e comi vários cigarrinhos de chocolate, não sou fumante. Não é um espumante sem álcool que tornará seu filho um futuro membro do AA. Não são os jogos violentos que tornarão nossas crianças futuros maníacos assassinos. Há muitas variáveis envolvidas em qualquer análise comportamental sensata… mas isso não isenta a responsabilidade DESTA variável. Não é porque não há relação direta entre uma coisa e outra que isso não deva ser considerado de forma séria. É muito reducionismo (ou ingenuidade) invalidar uma probabilidade estatística com um estudo de caso do tipo “comigo não deu nada, então não tem problema”.

Durante o dia de ontem, lendo comentários e mensagens privadas, parei para pensar: tudo bem que compartilhar meu ponto de vista foi legal e mostrar a algumas pessoas o assunto foi válido… mas será que não podemos fazer mais? Será que eu não posso sair do discurso e agir? Por coincidência (se é que elas existem), uma leitora de Florianópolis-SC entrou em contato comentando que um amigo dela, pelo facebook, sugeriu fazer denúncia ao Ministério Público.

Sinceramente, eu achei genial! Já pensava cá com meus botões como é que só na Defensoria Pública de São Paulo há a recomendação para tirar o produto de circulação. Acho que ampla e livre devem ser as opiniões dos cidadãos, enquanto as empresas que deveriam pisar em ovos antes de lançar qualquer coisa no mercado. Se você concorda com isso e quer fazer valer sua opinião, mexa-se!

A maioria dos Ministérios Públicos dos Estados possuem formulário de denúncia online, vale a pena preencher e enviar. O de SC, por exemplo, lhe permite inclusive anexar documentos e fotos. Quem sabe você não conhece um jornalista para o qual possa sugerir essa pauta e divulgar o assunto… porque pior que não saber de nada, é saber mas não fazer nada a respeito.

Um abraço do Caio!

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3 thoughts on “Spunch – o que você vai fazer a respeito?

  1. Minha curiosidade é: qual será o número de venda desse produto Spunch?! Não é possível que algum pai/mãe adquira….não encontro nem utilidade para a garrafa mesmo com um desenho estampado.

    Meu filho ainda é um bebê, ou seja, ainda não tenho experiência do consumismo infantil, não passei por nenhuma situação. Mas tenho noção do que quero ou não para ele. E fico puta também com esse tipo de coisa, esse tipo de postura das empresas, a forma de atingir a qualquer custo seu público, chega ser ofensivo.

    E acho sim que você, Caio, fez muito bem em manifestar sua opinião. Não devemos nos omitir e aceitar certas coisas que são impostas. E acho que se escrevemos um blog (nesse caso sobre pa/maternidade) não é para agradar a ninguém, e sim para ser um local democrático onde todos possam trocar experiências. As pessoas têm o direito de discordar, mas isso não invalida nossa opinião. Apoio a causa, Caio!

    Beijo,

    Gabi

  2. Ontem vi pela primeira vez o refrigerante spunch. Pensei em comprá-lo para minha filha estourar na virada de ano. Depois cheguei a pensar na relação com bebidas alcoolicas e todas “polêmicas” em torno disso.
    Cheguei a seguinte conclusão:
    Estourar um espumante é MUITO legal para uma criança. A dinâmica do processo desperta o imaginário infantil. Além disso, existe uma relação com vitória (como na fórmula 1). Estourar espumante é ato comemorativo, coisa de festa. As crianças adoram festas. Portanto, o espumante infantil vem ocupar uma lacuna de frustração das crianças que antes viam os adultos participarem de uma festa, proibida para elas. Logo, a culpa não é de quem desenvolve este tipo de produto ou do consumismo exagerado. A culpa é NOSSA. Nós, adultos, geramos desejo de consumo nas crianças. Portanto, se eu acho um absurdo dar um espumante infantil para meus filhos, nunca vou poder estourar um espumante perto deles.

    • “Se eu acho um absurdo dar um espumante para meus filhos, nunca vou poder estourar um espumante perto deles”.

      Isso significa que não há coisas próprias para cada idade ou fase de vida? Seguindo essa lógica, você nunca vai dar um beijo na boca de sua esposa em frente seus filhos, pois estará dando a eles o desejo (e também o direito) de sair beijando na boca.

      Além disso, a criança desejar é argumento suficiente para suprir esse desejo? Dessa forma, vamos preparar uma geração de pessoas intolerantes à frustração, incapazes de ouvir um “não”, de lidar com as limitações da vida e tantos outros aspectos psicológicos e sociais.

      Espero que você esteja sempre por perto para saciar os desejos e impulsos de seus pequenos, porque saciando assim que surgem, certamente aumentarão em escala geométrica.

      Abraço do Caio

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